Lana Wilson, diretora de ‘Miss Americana’, quer fazer outro documentário sobre Taylor Swift em 50 anos


“Eu realmente gostaria de ver Taylor aos 80 anos tocando em estádios”.

Taylor Swift nunca se abriu assim antes. Em Miss Americana, documentário recente da Netflix sobre a estrela pop, Taylor aborda seus fantasmas mais assustadores – desde seu caso de agressão sexual em 2017 contra um DJ de rádio até sua rivalidade de alto nível com Kanye West.

“Parece que é mais do que música neste momento … às vezes fica alto”, diz Taylor através de lágrimas na Miss Americana. Ela permite que fãs e críticos participem de sua batalha do passado com comida e auto-imagem e, pela primeira vez, deixa câmeras no estúdio para assistir seu processo de composição e gravação. Lana Wilson, diretora do filme, conta como foi capturar a superestrela de 30 anos em todos os aspectos de sua vida.

Teen Vogue: Que cenas interessantes não entraram no filme?

Lana Wilson: O principal realmente eram mais cenas no estúdio, mais coisas do processo de composição. Foi tão difícil resumir essas cenas porque eu adorei tanto, e acho que é tão raro você ver uma das maiores compositoras de todos os tempos realmente tendo ideias e desenvolvendo essas ideias em músicas do começo ao fim. Eu amo assistir a esses trechos porque acho que você consegue conhecer a Taylor tão bem vendo esse processo, como ela canaliza sua vida em suas músicas. No final acho que tínhamos uma hora inteira apenas com cenas de composição e depois tivemos que editar e reduzir. Ninguém nunca a havia filmado em estúdio antes, o que tornou tudo ainda mais especial.

TV: Como você abordou o drama de Kim Kardashian e Kanye West?

LW: Esses foram alguns momentos cruciais na vida de Taylor, mas eu estava menos interessada em Kanye West ou em fazer julgamentos avaliativos sobre isso e mais interessada em entender como isso afetou Taylor, já que ela era alguém que se importava tanto com o que as pessoas pensavam. Por exemplo, quando ela foi ao Video Music Awards em 2009, a noite começou como um conto de fadas e terminou com ela sozinha no palco com todo um teatro cheio de pessoas vaiando. E lembro que quando ela me contou sobre esse aspecto da história, era algo que eu nunca tinha ouvido antes. Ouvir isso me ajudou a entender por que esse evento teve um impacto tão grande nela. Não é sobre Kanye. É como uma sala cheia de vaias pode ser uma experiência realmente devastadora para uma artista de 19 anos que adora aplausos.

TV: Como foi a filmagem daquela cena política super importante? Como estava a atmosfera na sala?

LW: Taylor e eu estávamos conversando bastante sobre assuntos políticos e como ela estava pensando em fazer isso. E eu disse a ela: “Se algo acontecer, mesmo que seja realmente de última hora e por qualquer motivo eu não esteja na sala, tente filmar com um celular ou peça a alguém da sua equipe para pegar qualquer câmera que eles tiverem”. Então, essa cena foi filmada, na verdade, por alguém da equipe dela que estava lá porque eu não estava naquele momento. Eles filmaram e eu recebi a filmagem imediatamente depois e posso dizer que quando assisti, pensei imediatamente que essa seria a cena mais poderosa do filme. E pensei isso não apenas por causa da política – embora isso seja parte dela -, mas acho que porque é uma cena em que essa mulher está realmente se impondo. Acho que todos temos momentos em nossas vidas em que discordamos das pessoas que mais nos amam no mundo. E você diz: ‘Eu ouvi você, seu argumento faz sentido, mas eu não concordo totalmente e vou ter que fazer do meu jeito desta vez’. Eu me identifiquei com isso de maneira tão poderosa quanto esse momento de amadurecimento dela. Foi assim que eu vi aquela cena.

TV: Você não entrevistou ninguém além de Taylor. Essa foi uma decisão consciente?

LW: Sim, definitivamente. Pensamos muito sobre pontos de vista na sala de edição. Experimentamos com diversas edições e, no geral, eu realmente queria que esse filme explorasse a vida e o passado da Taylor, então acabei usando sua própria voz e experiências pessoais e foi isso que trouxe o público para mais perto dela.

TV: O que você aprendeu sobre o espaço de Taylor na cultura pop?

LW: Nossa, tantas coisas. Primeira coisa é que não há compositora como ela na terra. Outra coisa, eu amo assistir uma artista feminina no seu auge ser capaz de ter ideias e fazer com que elas se materializem – como a cena do filme em que ela descreve a ideia do videoclipe e mostramos o que se concretizou no vídeo. Eu apenas amo assistir à criatividade dela em ação em todas as frentes, eu acho realmente especial. Mas, em um nível maior, acho que o fato de Taylor ser uma celebridade não significa que ela não lida com tantas das mesmas tristezas e sentimentos pelos quais todos passamos. Todos nós estamos percorrendo o mundo tentando nos sentir confiantes em nós mesmos, e acho que observar o que Taylor passou nos últimos anos pode ser realmente inspirador para quem sente que seus problemas são maiores do que eles. Ela passou por momentos difíceis e depois se tornou a pessoa que queria ser, então eu acho que é realmente especial para os jovens verem que eles podem fazer isso por si mesmos, mesmo que em uma escala muito menor do que ela faz sendo celebridade.

TV: Como foi conversar com ela sobre a agressão sexual? Era algo que ela queria falar ou era algo que você precisava forçar a sair dela?

LW: Lembro que, quando fiz a primeira entrevista com ela, para torná-la o mais confortável possível, fizemos uma entrevista apenas com áudio, que é algo que faço com os objetos de pesquisa às vezes porque você pode relaxar de uma maneira diferente quando não está sendo filmada. Então, quando eu fiz essa entrevista, éramos apenas ela e eu com um gravador em uma sala e o julgamento do assédio era algo sobre o qual ela não falava muito. Mas assim que começamos a conversar, parecia que muita coisa foi revelada – talvez porque ela não tivesse dado uma entrevista em três anos, havia muita coisa que ela queria dizer. O que eu pensei ser tão forte em relação a descrição do julgamento por agressão sexual foi que foi essa experiência que a mudou fundamentalmente como pessoa e foi uma experiência que lhe deu mais perspectiva de privilégio porque ela tinha sete testemunhas, uma foto e os melhores advogados que dinheiro pode pagar. Fizemos uma sessão de perguntas e respostas após a estreia do Sundance, e ela disse: “Eu tinha todos os privilégios do mundo”, e ela venceu o julgamento, mas ainda era uma experiência totalmente desumanizante e humilhante. Acho que depois de passar por esse processo, ela pensou: “Sabe, e se alguém não tivesse todas essas vantagens que eu tinha?”. A cena termina com ela dizendo: “E se você for estuprada e for sua palavra contra a dele?” e acho que é por isso que essa experiência a mudou. Isso a abriu para o quanto as coisas poderiam ser piores, o que é difícil de imaginar, porque já era uma coisa horrível de se passar.

TV: Taylor teve a palavra final na edição do documentário?

LW: O processo já foi definido quando nos conhecemos. Nós conversamos sobre o processo de gravação de documentários em geral e contação de histórias e, basicamente, eu comecei a filmar quase imediatamente, e filmei, filmei e filmei; então, fui e fiz um corte grosseiro completamente por conta própria e, basicamente, Taylor deu feedback sobre alguns cortes. Tive uma enorme liberdade criativa e moldei toda a história com essa incrível equipe de editores com quem trabalhei e um produtor, e diria que o feedback de Taylor foi realmente excelente. Ela é uma ótima contadora de histórias, por isso tem boas ideias. Nunca houve um momento em que ela disse: ‘Não, eu não quero que isso entre’. Isso nunca aconteceu. A única coisa da qual ficamos longe era algo que pudesse comprometer sua segurança. Isso era importante, é claro, e depois o relacionamento dela. Era realmente importante para ela, de maneira compreensível, manter seu relacionamento privado, mas também queríamos uma maneira de indicar [sua] importância na vida dela no filme e acho que encontramos uma maneira de fazer isso, em que você percebe o papel grande e positivo que o relacionamento dela desempenha sem nunca ver o rosto do namorado.

TV: Você faria outro documentário da Taylor em 10, 15 anos?

LW: Absolutamente, acho que seria incrível. Eu acho que seria ainda mais legal fazer um documentário dela daqui a 50 anos. Eu realmente adoraria ver Taylor aos 80 anos fazendo shows em estádios. Eu adoraria saber quais músicas ela estará escrevendo então. Isso seria demais.

Entrevista publicada pela Teen Vogue e traduzida pela Equipe TSBR.


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