Lana Wilson compara Miss Americana com uma música de Taylor


Já faz um mês que o retrato de Taylor Swift feito por Lana Wilson, Miss Americana, estreou no Sundance – uma semana antes de ser lançado na Netflix – e mesmo assim o documentário pessoal e político da estrela pop ainda está agitando os swifties.

“Tem sido diferente de tudo que já experienciei anteriormente”, diz Wilson à EW sobre a resposta ao documentário, que recebeu muitas críticas positivas (inclusive da EW) após a estreia em Park City. “Acho que o mais gratificante é que as pessoas estão se conectando e se relacionando com isso em um nível muito profundo”, diz Wilson. “Eu também continuo ouvindo variações, de espectadores da platéia dizendo ‘Esta é a minha história’ ou ‘Somos todos Taylor'”.

É ótimo ouvir isso sobre um documentário a respeito de uma das maiores estrelas pop de todos os tempos. O filme íntimo, no entanto, entra totalmente no mundo de Swift, capturando a cantora não apenas em seus momentos de público, mas também em seus espaços pessoais, examinando velhos diários, cozinhando com amigas e se emocionando enquanto debate ferozmente uma decisão de imagem crítica com seus conselheiros. Para o espectador vê-la como uma pessoa e não como um ícone pop, Wilson teve que chegar a esse ponto primeiro – mas a cineasta diz que esse muro caiu logo que a dupla se conheceu. “Eu também sou uma artista feminina trabalhando em uma indústria dominada por homens”, diz Wilson. “Então eu pensei – por mais estranho que pareça! – pode haver algumas experiências que compartilhamos, mesmo estando em mundos extremamente diferentes”. Acontece que havia, e a dupla se deu bem imediatamente, criando um vínculo principalmente baseado em documentários.

“Quando eu a conheci pessoalmente, ela me pareceu ser extremamente inteligente, muito engraçada e deixou bem claro que queria que esse filme acontecesse”, lembra Wilson sobre seu primeiro encontro com Taylor, que ocorreu depois que a Netflix e os produtores do filme procuraram ela para dirigir o projeto. “[Swift] mencionou que ela não gosta de documentários que parecem propaganda, e eu fiquei tipo, ‘Ótimo! Nem eu! ‘Acho que a única coisa que alguém se preocupa quando assiste a um documentário sobre uma celebridade é: isso vai ser uma mentira? Isso vai ser superficial? E eu queria fazer algo realmente profundo, sutil e emocionalmente poderoso”.

Seguir esse núcleo emocional foi como uma linha tênue para caminhar sem se afastar muito na outra direção, de propagandística a exploradora – mas a confiança entre as duas permitiu que Wilson mantivesse esse equilíbrio frágil. “Durante grande parte da minha vida aos olhos do público, quando fico triste ou chateada, me sinto humilhada ou zangada ou atravesso um momento realmente horrível, sinto que as pessoas se apegam nisso”, disse Swift a diretora no Q&A após a entrevista.

Miss Americana trata amplamente de Swift encontrando sua voz e se dando permissão para usá-la – principalmente quando se trata de política -, mas a própria existência do documento também faz parte dessa jornada, pois permite que ela recupere sua própria narrativa, que foi bastante por forças externas. “Pensamos muito sobre o ponto de vista do documentário na sala de edição e experimentamos diferentes maneiras de abordá-la, e acabamos sentindo que enquadrar isso na voz e na experiência pessoal de Taylor é o que deixou o público mais próximo dela”, diz Wilson. “Eu estava realmente interessada em capturar a vida interior de Taylor, em trazer as pessoas para dentro”.

Porém permitir que o filme fosse uma chance para a cantora contar sua própria história sem se tornar um comercial sobre Taylor Swift de 90 minutos, como ambas queriam evitar, foi outro equilíbrio complicado para Wilson. “Acho que a razão pela qual isso funcionou é porque Taylor é reflexiva e autocrítica”, diz ela. “Ela pode ser sua própria crítica mais difícil às vezes. E acho que foi isso que nos permitiu manter o documentário na voz e tom dela, mas fazer com que continuasse desafiador. Ser complicado e profundo faz com que a experiência seja profunda e emocional, em vez de fofa e superficial”.

A voz “complicada” de Swift é o que torna tão fácil se identificar com ela no filme – e o que a tornou uma estrela em primeiro lugar. Suas letras expressivas, confessionais e precisas, que ela escreve para si mesma desde o início de sua carreira, são essenciais para sua arte e são parte do que tornou o projeto atraente para Wilson em primeiro lugar. “Eu conhecia a música dela de dentro para fora”, diz ela, “e acho que muitas pessoas que conhecem a música dela sentem que a conhecem, sabe?”

Sua música favorita de Swift não é uma das faixas do Lover que ela presenciou o andamento durante a produção de Miss Americana, mas um clássico amado: “É All Too Well”, diz Wilson. “Tem essa especificidade, sabe?”

“Eu acho que o que é incrível em qualquer forma de arte, e a razão pela qual todos assistimos a filmes, lemos livros e ouvimos música, é que é incrível alguém – especialmente se é alguém que parece que não poderia ser mais diferente de você – que você percebe que teve experiências emocionais fundamentais iguais as suas”, acrescenta Wilson. “Você está tipo, ‘Oh meu Deus, isso aconteceu comigo, e Taylor escreveu sobre isso nesta música com tanta especificidade’. Espero que as pessoas encontrem momentos no filme que sejam assim para elas”.

Miss Americana está disponível na Netflix.

Matéria publicada pelo EW e traduzida pela Equipe TSBR.


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