Joseph Kahn fala sobre como é trabalhar com Taylor Swift


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  • Publicado em 06 de outubro de 2015

Joseph Kahn é a mente por trás de aproximadamente 500 vídeos desde os anos 90 para cá, e entre esses, vídeos para artistas como Mariah Carey, Britney Spears, U2, Eminem e mais. A mais recente parceria de sucesso de Joseph foi com Taylor Swift em 3 dos 5 vídeos da era “1989”, até o momento.

Em entrevista ao portal BreatheHeavy, Joseph contou como foi trabalhar com Taylor em “Blank Space”, “Bad Blood” e “Wildest Dreams”, que se tornaram sucesso instantâneo.

Leia abaixo os trechos em que ele cita seu trabalho com Taylor:

Nós vivemos na era do VEVO Certified. Onde você fica nessa busca dos artistas pelo vídeo mais visto contra a sua arte visual independente?

“Essa é a realidade: Eu poderia te enganar e dizer que meu trabalho não é por visualizações, mas meu trabalho é por visualizações. Ninguém vai gastar muito dinheiro ao me contratar pra eu fazer uma obra de arte que apenas 50 pessoas irão assistir. Eu teria gastado uma grana e a gravadora mandaria um assassino pra me matar [risos]. O equilíbrio pra mim sempre foi: como eu faço esse trabalho realmente grande de uma forma que eu, pessoalmente, ame e baseado em coisas que eu gosto de um modo que seja feito de uma forma legítima para que sejam vídeos legitimamente ótimos, então eles são legitimamente novas ideias ou novos tipos de execução para entreter as pessoas de forma legítima; fazer sentir como algo novo. Eu não acho que isso signifique que eu estou tentando fazer vídeos pretensiosos ou sem pretensão alguma. Só significa que estou tentando fazer bons vídeos. Esse é meu objetivo.”

O que você considera um vídeo legítimo?

“Eu acho que qualquer vídeo é legal se ele atinge o seu público-alvo. Se eu estou fazendo um vídeo pra Taylor Swift, ou um vídeo pra Britney Spears, o público tem de ser muito maior pra justificar o dinheiro que vamos gastar. Um vídeo legítimo para Taylor Swift é… você poderia fazer um vídeo de cenas de shows e 100 milhões de pessoas vão assistir a esse vídeo, não importa o que ela lance. Um vídeo legítimo, nesse caso específico…. como seria um vídeo que possa contar uma história? Isso é o que ela faz com sua música. Pra mim, qual é a melhor história que eu poderia contar? Um que conte a história e capte a mensagem e apresente seu lado de tudo o que ela está tentando fazer de uma maneira honesta.”

Você não faria um vídeo com a Taylor Swift a menos que esteja contando uma história?

“Deixe-me colocar desta forma: houveram vídeos da Britney no passado onde as pessoas tentaram fazer vídeos com outras influencias de arte. Lembro-me que ela fez um vídeo de animação para uma música. Eu amo animação, claymation, eu amo todas essas coisas, mas eu não faria isso com Britney. Eu acho que é errado para o público. Não é o que o público quer dela. Eles querem se conectar com ela. Eles querem saber o que está acontecendo em sua cabeça, eles querem saber o que está acontecendo em seu coração. Como diretor, quando eu faço isso, eu vou entrar e tentar descobrir qual é a melhor maneira de apresentar essa música em particular, e eu tenho que ouvir a música e descobrir o significado dela pra fazer um vídeo. Eu poderia fazer um dos maiores vídeos de claymation pra Britney Spears e ter um monte de outros diretores que vão dizer: ‘ei, olha que técnica foda de claymation que você usou’, mas eu só estaria gastando o dinheiro dela.”

Sempre achei que um vídeo ”fora do comum” seria muito legal pra Britney Spears…

“Bem, para ser honesto … é isso que eu estava tentando fazer com ‘Perfume’. Mas existem etapas. Você não pode lançá-lo e transformar Britney Spears em algo que ela não é. Eu tive essa ideia com ‘Perfume’ que eu senti que foi um pouco mais sofisticada e definitivamente a levou para fora da zona de conforto e a apresentou um lado diferente, mas acho que passei do limite […] É dificil falar dos detalhes disso. As coias simplesmente não deram certo. Talvez a mensagem fosse muito complicada.”

Você estava tentando racionalizá-la. É lamentável.

“Isso é uma das coisas catárticas sobre fazer ‘Blank Space’, com a Taylor Swift. Usamos essencialmente a mesma tática que em ‘Perfume’ – desconstruímos a imagem do artista e usamos suas falhas ao celebrá-las e torná-las algo positivo. Então para Taylor de repente interpretar uma garota maluca e literalmente sendo louca por homens… embora isso fosse para uma diferente tática emocional, foi algo que eu realmente já queria fazer com artistas por um tempo. Existe um certo ponto em que você fica batendo na mesma tecla sempre, ‘olhe essa garota sexy! ela está dançando!’, chega um ponto em que você já fez isso um milhão de vezes, então o que mais eu poderia fazer com super estrelas?”

Você realmente teve um ano muito bom dirigindo “Blank Space”, “Bad Blood” e “Wildest Dreams” da Taylor.

“Aqui está a coisa… Eu juro que eu estou sendo completamente honesto: este material teria acontecido sem mim. Ela poderia ter feito qualquer um desses vídeos e teria simplesmente explodido. A música era incrível. É um álbum pop incrível. Ela é um gênio. Ela é literalmente como um gênio. Ela tem 25 anos de idade e tem tudo sob controle. Super inteligente, super agradável. Ela é legitimamente uma pessoa legal. Eles teriam acontecido sem mim. Eu tive sorte que Taylor é uma daquelas pessoas inteligentes que podem realmente ver minha edição. Uma das coisas realmente interessantes sobre trabalhar com ela é que ela assiste a edição comigo à medida que vou filmando (porque eu edito à medida que filmo). Ela vê como edito uma cena, e eu posso ver seu cérebro funcionando, e vendo as peças se juntarem da mesma maneira que eu faço. Literalmente, à medida que editávamos, ela diria: ‘oh isso seria legal’, e em seguida, ela fazia e refilmávamos de novo, literalmente, nós editávamos à medida que gravávamos e acontecia uma estranha comunicação. Isso é muito raro. Eu sinceramente não vi nenhum artista realmente fazer isso. Ela tem um cérebro louco. Levei 35 anos estudando cinema pra ser capaz de fazer isso, e ela, naturalmente, já sabia de tudo. Eu me pergunto se seria por ela ser tão jovem que em sua juventude ​​ela já teria assistido a todos os vídeos. É parte do seu DNA onde ela naturalmente responde a ele, pois essa é a sua memória de como os vídeos devem ser.”

Se você já fez 500 videoclipes, como você faz pra inventar todos esses cenários que façam uma ligação emocional e que levem o telespectador a se lembrar deles?

“É aí que você realmente tem que ouvir o artista. Um vídeo do Joseph Kahn pode ser qualquer coisa. Faço quase que o papel de um ator tentando me tornar a Taylor Swift, ou me tornar a Britney Spears, ou me tornar Enrique Iglesias, ou Muse ou quem quer que eu esteja trabalhando. Tento me tornar uma peça deles. É uma combinação de conhecê-los, mas também conhecer o mundo em que eles estão. É por isso que presto tanta atenção na cultura pop e fico por dentro dela. Esse é meu trabalho! Como você se torna um diretor de vídeos pop e você não está por dentro do pop? Você estaria literalmente fazendo um desserviço para as pessoas que te contrataram.”

Você ficou surpreso com as acusações de discriminação racial no clipe de “Wildest Dreams” da Taylor Swift?

“Posso ser honesto com você? Eu meio que esperava. Tenho observado artistas chegarem ao seu nível, e eu trabalhei com um monte deles, e uma vez que você atinge o auge da popularidade no pop, as pessoas vão te atacar e encontrar qualquer coisa pra te derrubar. Isso pode destruir as pessoas. A pobre Britney é um exemplo. Ela ficou um pouco fora de controle. É óbvio que ela falhou, mas todo aquele escrutínio foi totalmente injusto, e eu fiquei realmente chateado quando tudo desmoronou, pois minha memória da Britney era a de uma impressionante menina de 19 anos de idade, e a o resto da história você sabe… ela literalmente não poderia fazer nada direito para os padrões da sociedade. Eles literalmente a atacavam por qualquer coisa que ela fazia. Eu já vi isso antes em várias situações, e eu podia prever isso chegando para Taylor. Se não fosse isso, seria outra coisa. Seria qualquer coisa. A questão racial… [a mídia] já estava a atacando por essa perspectiva antes, pelo mal entendido com a Nicki Minaj na semana anterior. Já estava inflamado.

Eu ouço as acusações sobre o colonialismo na África. O colonialismo na África é uma coisa ruim, absolutamente, mas vamos ser honestos sobre isto: este vídeo não é sobre o colonialismo. Trata-se de um filme da Hollywood antiga que, no final do dia, poderia ou não ter sido gravado na África. Eu sempre vejo todos os vídeos como metáforas de qualquer maneira. A grande maioria das cenas não foram de africanos ou de uma equipe, a grande maioria é Taylor e Scott [Eastwood]. É um belo vídeo retrô retratando o glamour da velha Hollywood. Tinham africanos lá. Eu tive que ter muito cuidado, pois eu senti que se eu colocasse um monte de africanos propositalmente, ela seria criticada. Foi minha culpa e assumo total responsabilidade por isso. Acho que ela seria criticada por reescrever a história. Uma das coisas que as pessoas poderiam apontar é que seria uma história sobre dois brancos dominando a África. Não é sobre isso. Trata-se de uma equipe de filmagens da gravação de um filme. Eles não estão fazendo nada! Uma das maiores preocupações que tivemos quando estávamos fazendo foi: eles se parecem caçadores? Nós não queríamos apoiar essa ideia de duas pessoas brancas indo pra África e atirando em um bando de leões. Eu tentei me certificar de que em nenhum ponto parecesse que estivéssemos matando alguém, atirando em algo… nada! É literalmente apenas uma homenagem a Audrey Hepburn e Elizabeth Taylor.”

Parece que Taylor Swift é impenetrável.

“O problema é que quanto mais ela faz isso, mais as pessoas dizem ‘oh, ela é impenetrável, uma rainha de gelo’. Ela não é! Ela está apenas tentando sobreviver como a maioria das pessoas. Eu penso em como a situação da Britney a afetou. Afeta todo mundo em certo ponto. É como você lida com essa [pressão]. Acho que de toda maneira as pessoas tentam derrubar seus ídolos. Eles querem te por no topo pra depois te derrubar. Acho todo esse processo nojento. Odeio. Odeio ver isso e vejo acontecendo toda vez. Sem falta. Não sei como a sociedade não diz: ‘oh, espera um minuto.. a hora é agora. É meia noite, vamos atacar’ e então isso acontece. A sociedade faz isso, mas não percebe que está fazendo e então fazem de novo e de novo. É uma loucura pra mim. Não consigo entender. É por isso que eu sempre disse que nunca queria ser famoso.”

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