“Foi como um raio para mim”: Scott Borchetta celebra os 10 anos de carreira de Taylor
24/10/2016
“Foi como um raio para mim”: Scott Borchetta celebra os 10 anos de carreira de Taylor
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Há exatos dez anos era lançado nas lojas o álbum de estreia de uma então desconhecida cantora. Sendo homônimo a sua autora, as músicas dali dariam o inicio a uma carreira de sucesso. Scott Borchetta, presidente da gravadora de Taylor e responsável por dar uma chance a ela gravar seu próprio álbum, relembrou os acontecimentos com a Billboard.

De vez em quando tudo dá certo. Quando o fundador da Big Machine Records, Scott Borchetta, conheceu Taylor Swift, então com 15 anos, ele não tinha dúvidas que a adolescente estaria destinada ao sucesso. Diferentemente de outros em Nashville, Borchetta conseguiu sentir que ele estava na presença de uma jovem extraordinariamente talentosa e focada que mudaria a vida dos dois. “Talento verdadeiro é eterno”, ele disse a Billboard sobre o que sentiu durante a primeira vez em que se conheceram, há mais de uma década. “A quantidade de músicas que ela tinha e as ideias sofisticadas que ela tinha aos 15 anos era surpreendente”.

Borchetta se aprofundou no Taylor Swift, que foi lançado 10 anos atrás hoje (24 de outubro), revelando as músicas que o tocaram, o processo de criação do álbum e até mesmo mostrando algumas anotações incríveis sobre as primeiras reuniões com Taylor e seus pais.

Taylor tinha só 15 anos quando você a conheceu, e algumas pessoas em Nashville já tinham a recusado porque achavam que ela não estava madura. Você não hesitou, certo?

Eu fiquei impressionado desde o primeiro minuto até hoje. As músicas sempre estiveram no centro para mim e para o nosso relacionamento. Eu entendi as músicas dela imediatamente. Você nunca consegue adivinhar o que vai acontecer, mas eu sabia que tínhamos alguém muito especial. Eu olho para minhas anotações da primeira reunião… escrevi “ela pode ser o nosso Mick Jagger”. Uma das páginas literalmente diz, “Taylor conquista o Japão”. Outra tem “capa da Rolling Stone, apresentar o Saturday Night Live”. Ela tinha um tipo de energia em que eu pensei, “cara, pode ser que a gente dê certo”. Foi como um raio para mim.

Você já tinha se sentido assim antes?

Para mim, ela foi a primeira com quem assinamos que nos focamos.

O que te convenceu? Foi uma música, alguma coisa que ela disse?

Primeiro que ela conseguia ir de uma adolescente muito engraçada com um ótimo senso de humor até ser alguém muito sofisticada. Eu estava convencido desde o começo. Nunca tive que levantar uma sobrancelha e ficar tipo: “hmmm”. Você pode ter toda a personalidade no mundo, a aparência, etc, mas se você não tem músicas, não tem o negócio fechado. Ouvi as músicas antes de conhecê-la.

Existe alguma coisa em permitir que uma novata do ensino médio tenha créditos na composição de todas as músicas, incluindo três créditos solo. Isso ainda parece algo grande.

Ah sim, e ninguém acreditou. Eu dizia: “olha, ela é uma compositora de verdade”. Foi difícil para que as pessoas acreditassem.

Você se preocupou em lançar um primeiro single intitulado em homenagem a uma grande estrela do country? “Tim McGraw”?

Essa foi a minha ideia. Quando a música chegou até mim, se chamava “When You Think Tim McGraw”. Disse: “Vamos chamar de Tim McGraw”. Disse a Taylor: “eles não reconhecem seu nome imediatamente e vão se perguntar quem é essa garota com uma música sobre Tim McGraw?” se você pensar no começo da gravadora, sabíamos que tínhamos que causar um impacto agressivo para entrarmos no páreo. Não poderíamos ficar construindo durante cinco anos. Tínhamos uma artista cheia de desejo e talento que estava mais do que afim de arregaçar as mangas que fazer isso acontecer. Como podemos furar a fila e chegar lá mais rápido? Ela estava convencida. Ela era como um touro.

Você deixou o Tim escutar antes?

Depois que terminamos, eu toquei para o empresário do Tim e ele disse: “wow, ok, o que você quer que eu faça?” e eu respondi: “só quero ter certeza que nem você, nem o Mike Curb vão me processar!”. Ele foi pra casa e tocou para o Tim, o Tim tocou para a Faith [Hill] e ela amou.

Fale sobre “Picture to Burn”, que meio que estabeleceu o modelo para as músicas da Taylor sobre términos difíceis. Você se surpreendeu com o quanto chateada ela soava?

Não, eu amei. Eu acho que essa foi a segunda ou terceira música que ela tocou para mim na nossa primeira reunião. Esse foi a música que eu apontei e disse: “essa música é um hit”, e pedi que ela tocasse de novo. Eu escutei o primeiro verso e disse: “você realmente acabou de cantar isso?”. Talvez esse foi o momento em que ela pensou “esse cara me entende”. As que são realmente boas, independentemente do tempo, tem esse atrevimento. Se fosse lançada 20 anos antes, ainda teria ido ao topo. Ela tinha uma angústia adolescente naquelas músicas que é basicamente o coração do rock’n’roll. O que não era normal era que ela te desafiava e chamava a tua atenção. Quem é essa garota chamando minha atenção e se defendendo e exigindo que eu respeite seu espaço? Foi tão… wow… quem é essa?

“Teardrops On My Guitar” é uma das baladas mais tradicionais no álbum, mas é claramente sob a perspectiva de uma jovem. Teve alguma coisa dessa vulnerabilidade que você se identificou?

Conversamos muito sobre isso e eu perguntei: “você realmente quer dizer Drew?”. Tínhamos uma versão que era “você” ao invés de “Drew. Ela disse: “a música é essa”, e ela tava certa. O que eu adoro dessas primeiras músicas — e que ainda a acompanha mas ela expandiu muito o seu território sonoro — é que existe uma bela tristeza em muitas das coisas que ela escreveu. Uma decepção tão ótima na voz dela, e você não cria coisas assim.

Escutando agora, “Our Song” também é uma faixa bem tradicional no álbum — dirigindo, escutando ao rádio, é super interiorana, banjos, os degraus da varanda, rezas, a mãe dela está lá… mas ainda assim tinha aquele ar inconfundível de uma voz adolescente tentando descobrir as coisas…

As letras são geniais. Eu lembro da primeira vez em que ela tocou, é super visual. Ela está falando sobre fugir de casa e é um ótimo visual daquele momento adolescente, mas ela queria ter os visuais sulistas como parte da narrativa. Quando é um ótimo artista fazendo isso, eles colocam isso em volta deles e no final do dia é uma narrativa ótima. Todas as coisas são reais. Ela realmente escreveu aquelas palavras em um guardanapo.

“Tied Together With a Smile” tem uma letra muito especifica sobre uma jovem enfrentando um distúrbio alimentar.

Existem histórias reais por trás de todas as músicas e essa era sobre uma garota sofrendo com problemas alimentares.

Você ouve isso em todas as músicas? Não precisa amaciar. É uma visão totalmente pessoal e interessante. Aqui está essa garota que conheço da escola e que tem problemas reais e ela está disfarçando tudo com um sorriso. Eu me lembro da primeira vez que escutei e pensei: “de onde vem tudo isso?”

A história é que “Should’ve Said No” foi colocada no último minuto e é uma das músicas mais poderosas do álbum. Por que foi importante incluí-la? No último dia no estúdio, Taylor me ligou e disse que tinha acabado de terminar uma música e que ela realmente queria gravar ela e perguntou: “você precisa escutá-la?”, respondi “você parece bem animada sobre ela, apenas grave”. Foi um momento bem real e eu confiei nos instintos dela. Todos os álbuns dela eu deixei abertos até literalmente o último dia possível porque ela sempre tá escrevendo e quando ela entra em sua zona criativa… aprendi desde cedo a deixar a porta aberta até o último momento porque pode ser que tenha mais um pensamento que ela tenha que finalizar em sua cabeça. Na maioria dos álbuns ela desenvolveu alguma coisa no último minuto que deu o toque especial.

Você tem alguma memória especifica que cristalize essa época na sua cabeça? Antes das coisas explodirem?

Existem várias porque nunca tivemos um plano B. Tínhamos que vencer. Talvez mais eu do que ela, ela tinha 15 anos e toda a vida pra viver ainda. Para mim, era a minha chance e mesmo que isso fosse verbalizado ou não, sabíamos que era aquilo. Tivemos várias vitórias divertidas. A primeira coisa que foi uma validação real foi quando ela ganhou o Horizon Award. Naquele momento, quando você tá começando uma nova gravadora, sem nenhum apoio da indústria, com uma artista nova sem nenhum apoio da indústria, para nós, ganhar por ela — o que ela super mereceu — e mostrar para a indústria que poderíamos ganhar um grande prêmio. Sentimos que colocamos a nossa âncora ali. E na nossa festa dourada em que eu usei uma gravata cor de platina. Foi tipo: “parabéns pelo ouro, mas platina é a nossa meta”.

Ela sempre foi muito aberta. O processo dela é que ela vai absorver as coisas e mesmo que ela possa dizer primeiro, “hey, não”, depois ela vai te ligar e dizer: “estive pensando sobre e vou tentar”. Ou, “vou tentar, mas depois vou fazer isso”. Mesmo nas primeiras mudanças de letras, ela foi super intuitiva e uma esponja. Ela aprende mais rápido do que qualquer um com quem já trabalhei.

Isso me lembra do que as pessoas diziam do Michael Jackson quando era criança, como ele estudava tudo que acontecia no estúdio e voltava anos depois com sua variação. Parece que ela estava absorvendo tudo.

Você conseguia ver nos olhos dela quando estava chegando. Ela ia para outro lugar, se afastava, dizia algo em seu iPhone e voltava. Você fala com Max Martin hoje e acho que ele diria que ela ama a colaboração porque ela sempre quer tentar, mas também é bem direta.

O álbum passou 277 semanas nas paradas. Você sabia que isso ia acontecer, certo?

[Risos] O Dark Side of the Moon era a meta!

Tenho que perguntar, o que vem por aí? Ela tradicionalmente lançava um álbum a cada dois anos em outubro, e outubro está acabando.

A primeira regra do Clube da Taylor é que você não fala sobre o Clube da Taylor.

Fonte: Billboard

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    “A primeira regra do Clube da Taylor é que você não fala sobre o Clube da Taylor.”

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