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Taylor concedeu uma entrevista à Scott Raab, repórter da Esquire, dias antes do live-stream que anunciaria “1989” e promoveria o primeiro single, “Shake It Off”. Confira a tradução da incrível entrevista abaixo:

Scott Raab encontrou a cantora e compositora na baixa Manhattan para o café da manhã dias antes de seu grande hit “Shake It Off” ser lançado. Ela foi ao encontro de Raab depois de um ensaio promocional para o lançamento e depois da entrevista, embarcou na mesma manhã rumo a Los Angeles para um ensaio do Video Music Awards. Seu assessor e dois seguranças pessoais sentaram-se em uma mesa próxima. Para Swift: ovos mexidos, nada de café.

Scott Raab: São oito e meia da manhã e você já trabalhou por duas horas?
Taylor Swift: Nós estávamos no Empire State Building porque estávamos filmando para o livestream de segunda. Vai haver um grande helicóptero filmando o Empire State Building e eu estarei acenando da parte mais alta do edifício. É tão excitante revelar o que se tem feito nos últimos dois anos. Minha vida mudou drasticamente nos últimos dezoito meses.

SR: Mudou musicalmente? Geograficamente?
TS: Tudo. Eu nunca imaginei que fosse viver em Nova York porque sempre pensei que ficaria esmagada com a quão ocupada e acesa esta cidade é. Então de súbito, tudo o que eu queria neste ano era morar aqui. Eu nunca imaginei que pudesse estar tão feliz e completamente desapegada de alguém no sentido amoroso.

SR: Porque você acha que existe tanta atenção em sua vida amorosa?
TS: Eu acho que para toda a história de uma celebridade tem de haver um “É, mas…”. Olhe para Beyoncé: Ela é incrivelmente talentosa, linda, modelo perfeita para as garotas, uma mulher influente no mundo inteiro. É, mas… vamos tentar arranjar algo no casamento dela. Eu acho que isto acontece com toda celebridade. Principalmente e infelizmente com as mulheres.

SR: Você é julgada constantemente. Sua vida pessoal é um alvo frequente.
TS: Eu saio com alguém, percebo que não somos compatíveis ou que não funcionamos juntos e então terminamos. Parece-me algo muito normal para uma jovem com vinte e poucos anos, mas este é o meu maior escândalo. Eu acho que é saudável para alguém ficar anos sem sair com uma pessoa porque você precisa saber quem você é. Eu passei mais tempo pensando, examinando e imaginando como lidar com as coisas sozinha do que teria se estivesse focada nas emoções de um outro alguém ou com o planejamento de uma outra pessoa. Tem sido ótimo.

SR: Eu acho que estava assistindo a um vídeo do programa seu— um com a Chelsea Handler — e ela brinca com você e em certo momento você diz “Ninguém me escuta!”. E não foi nem porque você foi provocada, mas isto ficou na minha cabeça porque eu acho que é verdade: ninguém presta atenção no lado humano das celebridades.
TS: Isto não parece uma possibilidade em minha vida. O que parece uma possibilidade fácil é ter o time inteiro de incríveis amigas que eu tenho e o que elas me dizem. Eu posso confiar nelas e eu sei isto porque nada que está sendo escrito pela imprensa sobre mim neste momento é verdade.

SR: Você sabe que suas paixões são curtas, mas gasta uma grande energia sustentando estas paixões.
TS: Eu ando muito ocupada e ando trabalhando pra valer. Eu estava falando sobre isto com Ryan Tedder um dia destes porque nós somos do tipo que pensa igual, então há uma parte do nosso cérebro que simplesmente se desliga quando estamos no estúdio. Há uma parte do nosso cérebro com a qual fazemos entrevistas ou promovemos algo ou acordamos às seis da manhã para fazer o cabelo e a maquiagem. Eu acho que se esta pressão viesse para alguma outra pessoa, isto me sobrecarregaria demais. Mas esta pressão é minha, então eu não posso dizer nada sobre ela, porque eu sou a única falando para minha mente “Você precisa fazer um álbum melhor do que o último. Não há outra opção. Caso contrário, não faça outro álbum.”

SR: Eu sei que você tem uma família estruturada, mas você já pensou que (sua vida) se tratasse de um trem desgovernado?
TS: Não. A única coisa da qual não tenho controle são os olhos da imprensa. Se eu sei que não posso controla-la, então vou deixar que eles falem. Em alguns casos, claro, você pode controlar. Eu realmente não gosto do lance da namorada em série. Eu acho que este é um lado muito sexista da minha vida. Eu parei de sair com caras para me libertar de processos (de composição) contínuos — porque eu não preciso sair com caras para estar inspirada, nem para fazer boa música, nem para viver minha vida ou para me sentir bem comigo mesma. E eu quis mostrar tudo isto para os meus fãs.

SR: Você tem seu próprio jatinho?
TS: Sim, isso não é uma loucura?

SR: Você ainda faz meet-and-greets?
TS: Nós fazemos quatro antes do show e um depois.

SR: Sobre a música country, não só sobre as canções.
TS: O country te ensina a trabalhar. Você escuta histórias destes artistas que aparecem com quatro horas de atraso para fazer ensaios fotográficos, em Nashville isto não acontece. Em Nashville se você se atrasa, todos desaparecem. Em Nashville, se você não se importar com as rádios e com as pessoas que têm sido legais com você, bem… Esta é uma relação simbólica, então se você der as costas para ela, eles não vão mais se importar com você. Eu não poderia ter mais orgulho por ter vindo de uma cultura com tantas raízes nos processos de composição, tão fissurada por trabalho duro e por tratar as pessoas tão bem. Este é o melhor tipo de treinamento.

SR: Eu ouvi que você escreve notas de agradecimento para DJs.
TS: Eu adoro escrever notas de agradecimento. Para mim há algo muito nostálgico em um cartão e uma caneta. Quantas vezes em nossas vidas nós somos requisitados a escrever para alguém?

SR: Eu não escrevo uma carta para alguém há anos.
TS: Há algo romântico e meio que perdido em escrever. Eu gosto de coisas em que se possa tocar e coisas em que se possa pegar, porque todos os meios de comunicação que temos hoje são efêmeros por natureza. Você pode deletar um e-mail e vai ser como se ele nunca tivesse estado lá.

SR: Você me parece completamente sã.
TS: Obrigada.

SR: Eu sempre desconfiei que você seria.
TS: Você não precisa ser sínico sobre isto!

SR: Não é sobre você. É meu trabalho.
TS: É disto que estou falando, eu não gosto da obsessão na cultura das celebridades e nem da cultura promíscua que nos inserem. Existem celebridades que são levadas a um passo de um colapso público de suas vidas pessoais, então as pessoas pensam que toda celebridade tem segredos obscuros guardados ou que toda celebridade não é o que mostra ser, finge uma personalidade, finge estar surpresa ao receber um Grammy.

SR: Há uma certa crueldade nisto. Quando estas crises (na carreira de celebridades) acontecem, as pessoas não podem ficar mais entusiasmadas. Principalmente quando se trata de jovens mulheres.
TS: Eu não vou deixar que me façam entrar em crise. Mas eu acho que como compositora, você perde seu tato se encontra uma forma de se proteger de tudo o que falam sobre você. Você perde o contato com tudo o que te faz vulnerável o suficiente para se conectar com as outras pessoas e esta não é uma coisa que eu queira perder. Trata-se de andar em uma corda bamba entre não ser tão frágil a ponto de ser atingida com um rumor e de ser forte o suficiente para sentir isto e escrever sobre. E não é só sobre a vida de celebridade. É sobre a vida de pessoas. Eu sei disto quando vejo estas crianças — torturadas socialmente até encontrarem um chamado da vida.

SR: Você passou por este tipo de coisa quando estava na escola.
TS: Eu nunca pensei que eles estivessem certos sobre mim quando diziam “Ela é estranha. Ela é uma ninguém. Eu não quero almoçar com ela.” Eu sempre me lembro de que escrevia em meu caderno dizendo que eu mesma nunca parasse de compor. Eu só tenho que continuar fazendo isto e, talvez, algum dia as coisas sejam diferentes para mim. Eu só tenho que continuar trabalhando.

SR: Eles parecem ser gente boa, seus seguranças.
TS: Eles são realmente ótimos. São incríveis.

SR: Eu nunca entrevistei alguém antes que trouxesse seguranças.
TS: Eu pensei na ideia de ter seguranças por um longo tempo porque eu realmente valorizo a normalidade. Eu realmente valorizo. Eu gostaria de poder dirigir sozinha. Não faço isto há seis anos.

SR: Nem no Tennessee?
TS: Não, eles precisam estar nos carros a minha frente pelo número extraordinário de caras que nós temos em um arquivo. Caras que invadiram minha casa, a casa da minha mãe, me ameaçaram de morte ou de sequestro ou me pediram em casamento. Esta é a parte estranha e triste da minha vida que eu não tento pensar muito sobre. Eu tento me manter lúcida sobre isto porque eu não quero estar sempre aterrorizada. Eu não quero andar na rua assustada. Então quando eu tenho seguranças ao meu lado, eu não fico assustada.

SR: Você ainda tem alguma conexão com a natureza humana?
TS: Há uma situação social toda vez que eu piso fora de casa, mas eu sei que se não quero lidar com pessoas em um determinado dia, não devo sair. Eu tenho que acordar de manhã e perguntar para mim mesma como estou me sentindo. Se alguém me pedir uma foto, eu vou sentir como se estivesse sendo obrigada porque estou lidando com meu próprio público? Eu vou descontar em uma garotinha de 14 anos e trata-la com mal humor? Ok, talvez não… Talvez eu não saia de casa. Eu tento realmente não descontar dias ruins nas outras pessoas. Porque eu sei que vão me pedir um autógrafo e eu sei que vão pedir pra tirar uma foto e eu sei que vai haver alguém me filmando no restaurante. Se eu não for tratar isto com bom humor, é melhor ficar em casa. Ficar em casa também é ótimo. Estes dias não acontecem com muita frequência. Eu só tento manter isto claro: diversão, entusiasmo, excitação — estes são, por sorte, alguns dos meus atributos.

SR: Eu li que você cursou dois anos do ensino médio em doze meses.
TS: Esta era só a forma mais pratica de encerrar o ensino médio.

SR: Mas nem todos podem fazer isto.
TS: Meus pais sempre foram severos a respeito da educação, desde que meu irmão e eu éramos crianças.

SR: Você e sua família viveram em uma fazenda de árvores de Natal? Esta é uma maneira única de se crescer.
TS: Era um lugar esquisito de se morar, mas firmou em mim esta excitação pelo outono e então a temporada de feriados. Meus amigos ficam tão chateados comigo falando sobre o Outono chegando. Eles ficam tipo “O que você é? Um elfo?”.

SR: Quem tomava conta do comércio das árvores?
TS: Meu pai.

SR: Eu ouvi que ele trabalhava para a Merrill Lynch (rede de bancos americanos para investidores).
TS: Ele tinha a fazenda como um hobbie. Ele acordava às quatro da manhã para podar os campos com seu trator. Todos nós trabalhávamos. O meu era coletar os louva-a-deus das árvores para que eles não fossem para a casa das pessoas.

SR: Quantos anos você tinha?
TS: De cinco até dez. Este era meu trabalho porque eu ainda era pequena para ajudar a carregar as árvores.

SR: Você mencionou sua avó em entrevistas anteriores. Que tipo de música ela cantava?
TS: Ela cantava óperas. Ela costumava cantar em qualquer ópera da cidade enquanto meu avô estava trabalhando. Ele era engenheiro e viajava muito, construía edifícios. Minha avó até mesmo foi uma das apresentadoras de um espetáculo chamado The Pan American Show, em Porto Rico, e ela era linda e graciosa, mas falava o pior espanhol que você poderia ouvir. Todos os fãs espanhóis a amavam, porque ela era tão aplicada a respeito do péssimo espanhol que falava. Ela tentava todas as noites. Ela se levantava e cantava e, claro, era perfeito, era uma bela voz em operação. Uma incrível soprano.

SR: Você se viu em ‘O Doador de Memórias’?
TS: Eu vi o filme. É difícil para mim separar eu mesma do que eu sou. Eu só me vi em uma peruca morena e pensei “Oh, eu pareço tão estranha com isto Por que meu rosto está tão estranho? Oh, eu odeio o som da minha voz.” A música é a única coisa que se encaixa em mim como o vestidinho negro que uma garota veste toda vez que sai. Outros coisas dão certo para mim conforme as estações, mas a música é a única que eu posso usar o ano inteiro. (Swift pergunta para o assessor se pode tocar alguma coisa) Então, este é o primeiro single e esta é a lição mais importante que aprendi nos últimos anos. [“Shake It Off” toca nos fones de ouvido.] Então, é isto.

SR: É ótimo. Eu acho que vai ser grande.
TS: Obrigada!

SR: Você tem um grande senso de humor, mas você o mantém escondido. É um pouco modesto e sarcástico, mas você usa este senso muito moderadamente.
TS: Eu acho ótimo manter alguns truques na manga. Todo mundo vê o que faço e tira suas próprias conclusões por si mesmo, então só posso mostrar uma pequena parte de mim quando encontro estas pessoas.

SR: Você já se sentiu presa nos padrões de doçura, inocência, pureza?
TS: Não, porque eu sou realista a respeito do fato de que milhões de pessoas não têm tempo em seus dias para manter um perfil complexo de quem eu sou. Eles estão ocupados com seu trabalho, seus filhos, sua esposa, seu namorado ou seus amigos. Eles só têm tempo para definir uma pessoa pública em três palavras, então está ótimo. Contanto que estas três palavras não sejam destruída, perdida ou horrível. Eu também penso que se você ficar (na mídia) por muito tempo, as pessoas possam conhecer todos os seus lados.

SR: Mais da sua parte sã.
TS: Quando eu era pequena, meus amigos assistiam Disney Channel, mas eu assistia Behind The Music e eu tirei conclusões (do programa), como se as pessoas saíssem dos trilhos quando perdessem a consciência. Tampam os olhos para as coisas que não querem ver, então de repente tudo o que são capazes de ver são seus próprios delírios de grandeza. Eu nunca quis cometer este erro, independente da forma como minha carreira irá acabar. Eu aprendi estas lições no programa.

SR: Você parece pensar muito sobre isto.
TS: Eu tenho muito tempo. É tudo o que faço.

Confira as scans da Esquire de Novembro, já disponíveis em nossa galeria:

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