21 de novembro de 12 Autor: Airton
Entrevista completa traduzida para a revista Yo Dona

Como vimos aqui, Taylor Swift é capa da nova edição da revista espanhola Yo Dona, da qual traz uma entrevista inédita com a cantora, onde ela fala sobre seu álbum Red, suas influências, seu estilo e muito mais. Confira a entrevista completa traduzida abaixo:

Prestes a  completar 23 anos, Taylor Swift gera ao seu redor inveja, medos e suspiros de admiração. Desbancando Lady Gaga, que em 2010 arrebatou a segunda platina na competição de mais discos vendidos na semana de lançamento do álbum – ambas haviam ultrapassado a marca  dos milhões de exemplares -, não há nenhum artista na música com tanto poder: não se trata unicamente de vendas, e nada vende mais, se não a imagem de um bom modelo de conduta, formal, tradicional e muitas vezes forte – suas letras estão gravadas em mensagens de términos para ex-namorados. Marcas de roupa, telefones e perfumes se estendem a contratos estratosféricos, e milhões de garotas querendo ser como ela, a estampa viva do sucesso.

Neste lado da costa compreendemos sua dimensão, mas nos Estados Unidos sua música é única e sua imagem um tesouro que sua gravadora, Universal, cuida com um zelo extremo. Nada perturba a calculada perfeição da queridinha da América.  Não fala de sua vida privada, e sua equipe faz o possível para evitar temas conflituosos, o tabu, como seu término com Conor Kennedy, quatro anos mais jovem e filho de Robert F. Kennedy – sobrinho de John F. Kennedy e Ted – uma relação que se fosse concretizada, ela  teria entrado para a realeza dos Estados Unidos.  Qualquer pergunta que a obrigue opinar sobre algo que não seja música, ela safa com uma negativa pela tangente.

Curta e direta, Taylor não se intimida. Mostra-se até mesmo incômoda. Imediatamente alguém de sua equipe de imprensa decide que não há tempo para mais perguntas,  depois de 20 minutos de tentativas frustradas de entrar em seu coração e fugir do roteiro, até mesmo encontrar um rastro de sincera simpatia em sua estudada distância. Quem sabe nunca saberemos o que há detrás dessa máscara para fazê-la falar sobre a psicoanálise de suas letras. Enquanto, seu quarto disco lançado, Red, com mudanças no seu estilo habitual – do pop pegajoso com ares country ocidental ao pop de produção e melodias grudentas, mas ainda uma nova transformação eletrônica -, com a tranquilidade de saber que há milhões de pessoas dispostas a segui-la de olhos fechados.

Yo Dona: Qual a metáfora por trás da escolha de Red como título de seu último álbum?
Taylor: Tem haver com o que me transmite, é uma cor intensa, do coração, me faz pensar em se apaixonar. Me transmite paixão, raiva, tristeza… São as emoções que me inspiraram durante o ano.

As músicas estão repletas de mensagens criptografadas para ex-namorados e são sua forma de explicar sua vida. Como é converter a música num objeto de psicoanálise?
Para mim compor é uma maneira de analisar e entender meus sentimentos. Não é uma psicoanálise, não há tanta profundidade. Eu preciso fazê-la assim. A melhor maneira que tenho para expressar emoções é através de uma música, e por isso escrevo sobre eu mesma. Não são diários, mas sim músicas que escrevo na medida que me acontecem as coisas.

Neste álbum, as letras não parecem sujeitas a alterações  do foco principal, mas a forma da música sim. Você queria isso?
Cheguei no meu quarto álbum, e quando se chega a esse ponto, pode se escolher entre duas coisas: lançar o mesmo álbum outra vez ou mudar a maneira de se fazer as coisas. Antes deste dilema, decidi ter a prova. Busquei novos produtores e colaboradores, não tive medo de mudar. Mas estava arriscando no mesmo padrão, não evoluía, então decidir fazer algo a respeito.

Parte dos seus fãs esperava um disco mais adolescente e frívolo, ao menos ao escutar o primeiro single, We Are Never Ever Getting back Together, eles tinham razão?
A gente acredita que o primeiro single define o som de todo o álbum, mas não é assim. É muito variado e às vezes muito melhor.

Você sempre cita Shania Twain como sua referência musical. Suas influências mudaram nos últimos anos?
Elas mudam continuamente. Escuto músicas variadas, tem muitas coisas que me influenciam e neste álbum foram mais.

Na capa do seu novo álbum, só se ver seus lábios. O que você queria sugerir com isso?
É uma aproximação muito intensa, e sim, os lábios são simbólicos, concentram-se no vermelho e refletem as emoções mais fortes do álbum. Nem todas as canções tem a ver com uma descarga de energia, também tem tristeza, sentimento de perda de pessoas queridas… Preciso ir a lugares muito íntimos, onde possa pensar, processar os acontecimentos e entender o que aconteceu comigo. Um lugar muito pequeno e muito privado. Daí o porque dos lábios.

Que batom você usou? Vermelho russo?
Não me lembro. Buscamos um que transmitisse calor, que fosse forte e contrastasse com a sombra.

Qual é sua relação com a maquiagem? Você gosta ou isso a incomoda?
Quando estou trabalhando, em um show, uma noite de gala ou uma entrevista, sempre levo maquiagem. Há câmeras por toda parte. Mas é algo que tento evitar tanto quanto possível, não sou de abusar muito, no meu dia-a-dia uso pouca.

Sua imagem está sempre ligada a um look de garota simples do campo, vestidos floreados. Em um clipe, no entanto, você está de pijama, e na capa do seu álbum não há nada mais que um chapéu fazendo sombra. Como você definiria seu estilo?
Me influencio pelo o que me inspira num momento concreto. Agora mesmo o que me atrai é a moda dos anos 50 e 60, mulheres femininas e elegantes. Mas eu não estou sozinha nisso, sempre observo o que há a meu redor, me fixo na televisão e nas revistas. Por exemplo, no MTV Movie Awards eu me apresentei de shorts e camisa listrada. De vez em quanto é bom mudar.

Há precedentes que no estilo folk-pop de garotas que abandonam o estilo comedido de saias e tranças para adotar um estilo mais sexy. Veremos uma Taylor Swift mais picante?
Impossível. Com a música posso experimentar, é meu dever como artista, mas com minha imagem não. A roupa que escolho é em função de quem eu sou. Nunca me verá transformada em outra pessoa, com isso não posso e não quero julgar ninguém.

Muitas adolescentes veem você como um modelo de conduta e querem ser como você. Você se sente responsável por elas?
Acho que devo ser. Os fãs prestam muita atenção em tudo que faço e cantam minhas músicas. Elas analisam esse último detalhe e isso implica em uma responsabilidade. Acredito que como uma artista, isso me faz diferente, minhas músicas expressam muitas coisas importantes para as pessoas, e através delas estabeleço uma comunicação com meus fãs, que podem compreender e dialogar comigo, em qualquer que seja a distância.

Você é um dos objetos mais cobiçados pela imprensa. Te atrapalha de alguma forma os paparazzi?
Não nego que na minha vida há várias coisas que me incomodam. Os paparazzi que me seguem a todo canto é algo que mina meu ânimo, às vezes nem tenho vontade de sair de casa. E também quando escrevem coisas sobre mim que não são verdade.

E como você se protege contra isso?
Aprendi que não vale a pena enfrentar isso. É um incômodo terrível. Mas tem muitas outras coisas boa que compensam esse incômodo.  Por exemplo: meus fãs são muito respeitosos. Seguirei escrevendo sobre minha vida, mas não irei falar dela em entrevistas.

Tradução e adaptação: Louise – Equipe TSBR





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