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A revista americana The Believer, especializada em artigos e resenhas, divulgou um texto da escritora Tavi Gevinson, no qual ela disserta sobre Taylor Swift e suas coisas favoritas no trabalho da cantora. Confira abaixo, traduzido por nossa equipe:

Notas sobre Taylor Swift

O público geral conseguiu fazer com que o principal ponto forte da Taylor Swift se tornasse sua maior fraqueza, e me deixa triste e zangada e às pessoas estão perdendo uma coisa que é incrível. Por “público geral” eu digo sites de e-mail e às vezes publicações mais chiques, e por seu “principal ponto forte” eu quero dizer a habilidade única da Taylor de focar em um detalhe ou troca e ampliar completamente de um modo que seja universal e profundamente pessoal. Eu não quero dedicar essa tinta sagrada para os haters, mas eu quero sim liberar suas mentes de qualquer tipo de reserva que eles tenham contra o Poder Swift para conseguir preparar vocês para este PASSEIO DE TAPETE MÁGICO EM UMA MONTANHA-RUSSA neste TABULEIRO DE DOCES de uma DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA BRITÂNICA (= NÃO GOSTAR DE TAYLOR SWIFT).

Swifties veem a característica como ela é: escrever. Suas músicas são seu ponto de vista, fazendo com que seja seu trabalho explodir o menor evento em algo que represente melhor a maneira que ela o viveu. Tay falou de Neruda no prólogo de Red, “Love is so short, forgetting is so long.” (O amor é muito curto, esquecer é muito longo) Isso é tipo Nabokov, certo? Tudo fica mais forte na memória. Tudo muda de cor. O primeiro álbum dela vai lhe contar que ela é uma paqueradora natural, sonhadora, romântica incorrigível. Obcecar sobre os menores encontros é o que fazemos. Ela simplesmente nasceu para os traduzir para milhões de pessoas. E eu não acho que as responsabilidades comerciais dela distraem da sua paixão genuína da sua arte. Você já a assistiu em entrevistas quando ela é perguntada sobre a composição em si? Ela se transforma naquela criança que gosta muito da feira de ciências. As mãos dela vão à loucura e ela explica todas as categorias que ela quebra as emoções em e como cada uma delas tem um som individual. Então o entrevistador simplesmente não entende porque é o 60 Minutes e eles estavam esperando por uma conversinha boba ao invés de, tipo, uma verbalização do psicológico humano ao estilo Andrew Kuo. E Taylor sorri, perfeitamente consciente que ela os estranhou, perfeitamente consciente de que é dessa mesma estranheza que ela consegue todas essas lindas músicas.

Então o fato de que as pessoas pensam que elas são, tipo, a Nancy Drew por dizerem que nenhum dos relacionamentos dela duraram o suficiente para que ela conseguisse escrever uma música sobre realmente prova que ela tem esse talento imbatível de juntar o que realmente aconteceu com o que ela sentiu. Eu não me importo que os relacionamentos dela não sejam de longo termo –ela está um pouco ocupada liderando uma porcaria de um império! Eu não me importo que ela só namore com caras para escrever músicas sobre eles, como as pessoas dizem –ela namora com pessoas, ela escreve músicas sobre a vida dela, naturalmente muitas dessas músicas são sobre pessoas que ela namorou, e muitas delas não são, também. Basicamente: EU NÃO ME IMPORTO, EU AMO.
Essas são uma das minhas preferidas, editadas severamente para caber no espaço. Eu quase não quis publicar, porque a música dela é muito próxima do meu coração, mas eu também queria muito publicar porque a música dela é muito próxima do meu coração. Por favor manuseiem com cuidado.

ÁLBUM: TAYLOR SWIFT
“Our Song”
Em algum lugar das profundezas das coisas deletadas do Youtube tem um vídeo meu com minha melhor amiga de infância cantando essa música enquanto eu toco violão. Taylor foi uma das razões porquê eu aprendi a tocar violão (junto com vagas imagens de ESTRELAS DO ROCK e PESSOAS COM CHAPÉUS LEGAIS), e eu levava a sério a imitação do sotaque dela. Apesar da Taylor tecnicamente não ser uma vocalista excepcional em seu primeiro álbum, ela sabe exatamente como fazer cada palavra soar em um nível emocional. Os instintos dela são simplesmente certos, sua cadência é tão dela. Tipo, não é apenas a junção perfeita das letras com a música e juntas elas capturam uma emoção certa –você também consegue ouvir quando ela está sorrindo, ou olhando para cima, ou pensando. Isso, acredito eu, é mais importante do que vocais tecnicamente bons, e também é muito raro.
“Picture to Burn”
Tanta audácia! Picapes! Pais que vão bater em ex-namorados! EU ACEITO.
“Stay Beautiful”
Essa música me MATA porque eu só a ouvia algumas vezes na época, o que significou que redescobri-la foi como ver alguém que você nem sabia que sentia falta mas de repente fica muito grata por ter em sua vida. As letras se aplicam muito à jovem Taylor: “Você não sabe, você realmente vai ser alguém. / Pergunte a qualquer um.” UGHHH. Eu acho que eu fico tão emocionada ouvindo o primeiro CD porque é tão acolhedor pensar onde ela estava quando ela escreveu essas canções (solitária, sofrendo bullying, uma fase esquisita, ruim com garotos, nerd da música country) e onde ela está agora (BFF do PLANETA TERRA). Ela é um exemplo primário de como você pode se tormar uma menina de ensino fundamental com um complexo de inferioridade em arte bela e relacionável. Ela é como o Chris Ware, só que não, só que totalmente.

Fonte: Believermag.com
Tradução e adaptação: Lívia Corrêa – Equipe TSBR





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