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O live chat de ontem ainda não parou de repercutir na mídia especializada americana. “Shake It Off” já está sendo cotada para ser a segunda música de Taylor a alcançar o posto mais alto do Hot 100 da Billboard, além de ter quebrado um recorde nas rádios pop. O novo álbum, 1989, está só na pré-venda e já é o álbum mais vendido do iTunes. E, fora tudo isso, a notícia de que Taylor está lançando o seu primeiro álbum completamente pop garantiu debates dos especialistas, e a Billboard publicou um artigo favorável à decisão de Taylor:

Taylor Swift está indo para o pop. E isso é bom.

Com “Shake It Off”, a superestrela mais confiável da música mergulhou no desconhecido… e cravou sua aterrissagem.

Confissão: Eu amo o lado country de Taylor Swift. Ela é uma compositora incrível que construiu um império baseado em contar histórias de forma expressiva e em elegantes arranjos de violão. Então, quando eu escutei o novo single dela, “Shake It Off”, eu não sabia o que fazer.

Swift já fez músicas completamente pop antes, ao trabalhar com os produtores de “Shake it Off”, Max Martin e Shellback, em vários singles de seu último álbum, Red de 2012. Mas isso é algo totalmente diferente. Até mesmo as pretensões de influências country desapareceram, a batida revigorante de violão de “22” foi trocada por um riff de batidas baixas de saxofone, os detalhes convesacionais na letra de “We Are Never Ever Getting Back Together” foram substituidos por mantras universais que poderiam pertencer a qualquer um. A primeira ouvida foi chocante, e quando ela acabou, eu comecei a contar decressivamente até o lançamento de “Mine”, o primeiro single cuidadosamente trabalhado de seu álbum de 2010, Speak Now. Essa história só foi contada quatro anos, e dois álbuns, atrás? Aquela Taylor Swift teria desaparecido, sido substituída por uma artista da qual as qualidades mais singulares teriam virado pó?

Mas, então, eu escutei a “Shake It Off” mais uma vez, e comecei a perceber o desenho impecável — a forma com que ela conecta as estrofes de seus versos com “mm-mms”, as palmas que ela cria quando está prestes a soltar a “batida maneira” na ponte, as notas que vão abaixando no refrão (“Players gonna play, play, play, play play”) que fazem com que as duas declarações sobre a situação do mundo serem ainda mais inevitáveis. De novo, Swift já fez isso antes: “22”, “We Are Never Ever Getting Back Together” e “I Knew You Were Trouble” foram as partes que sustentaram o Red, um dos álbuns do cenário musical dominante mais bem construídos da década. Mas ela nunca conduziu tão bem os ganchos, ou apresentou suas melodias com tanta euforia.

“Shake It Off” não é, em fato, o som de Swift perdendo suas caracteristicas mais particulares, ou se tornando uma artista pop genérica. Taylor ainda está sendo Taylor, o tipo de escritora que qualquer músico sonha em se tornar, mas ela está trocando a sua pele danificada como uma cobra e passando a ser uma narradora mais feliz e confidente. A solidão de uma frase como “Don’t you think I was too young to be messed with?/The girl in the dress cried the whole way home”, da sua maravilhosa balada de 2010, “Dear John”, agora é dado de ombros de forma indiferente. Swift está mais velha, mais vivida, e menos vulnerável a desmoronar quando é provocada.

“I go on too many dates! But I can’t make them stay!” ela alegremente fala no primeiro verso de “Shake It Off”, soando como se ela não se importa como essa frase é construída em relação ao seu bem documentado histórico amoroso, porque, como ela concluí, os odiadores vão odiar de qualquer maneira. Em “Shake it Off” e o seu respectivo clipe, Swift está demonstrando a falta completa de vulnerabilidade — especulem sobre a sua vida amorosa! Assistam ela errar seus passos de dança! Vejam se ela se importa! — e ela selecionou o meio da música pop para fazer com que o seu recado fosse passado da forma mais evidente. Os odiadores podem, de verdade, continuar a odiar. Enquanto isso, Swift continuará a entregar refrões que todas as festas de faculdade vão cantar junto nesse outono.

Todos odeiam mudanças, especialmente quando a maneira antiga de se fazer as coisas parece ser tão confiável. No entanto, por que alguém iria querer que os artistas mais celebrados do mundo fizessem as mesmas coisas sempre? As melhores mentes musicais mudam e evoluem, se movendo para além da sua fórmula garantida para tentar decodificar um outro código. Kanye West o fez ano passado, quando momentaneamente abandonou o conforto do seu hip-hop emotivo, para criar uma composição de rock esbravejante. Gwen Stefani deixou a sua banda de rock, No Doubt, para fazer um álbum pop solo — imagine se isso tivesse acontecido na era do Twitter! Swift fez mais ou menos uma mudança de ares estilosa no Red, abordando opções mais diversas de músicas chiclete, folk e rock de arenas depois de aperfeiçar o estilo country-pop no Speak Now. Ela poderia ter ficado em cima do muro entre os gêneros no 1989, mas não seria isso — um grande espetáculo do pop, como Swift anunciou — mais animador? Pode ser que seja maravilhoso, pode ser que seja terrível, mas o primeiro projeto de Swift pós-Red será uma investida ousada no desconhecido, ao invés de um hit previsível que ela poderia jogar em uma montanha de outras conquistas.

Pode ser que Taylor Swift não seja uma artista pop para sempre, ou até mesmo por muito tempo. Talvez, mais tarde em sua carreira, ela retorne para a música country de braços abertos. Eu não ficaria chocado se algum dia ela fizesse um álbum acústico. No entanto, isso é onde ela se encontra agora — segurando rádios enormes em clipes exagerados, trabalhando com Max Martin no estúdio, mandando os descrentes que não acreditam que ela consegue fazer música pop espetacular para aquele lugar. Ela pode, e ela vai fazer. E o resto de nós terá que se acostumar a isso.

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