Checou o Twitter várias vezes? Confirmou o verificado azul? Deu uma olhadinha na data de hoje só para ter certeza absoluta de que não é uma pegadinha? Sim, é real: uma das maiores pop stars do século 21 vai lançar de surpresa, sem aviso prévio, um novo álbum inteiro.

Bom, não é absolutamente uma surpresa: Taylor Swift nos deu mais ou menos umas 16 horas de preparação antes do lançamento do seu oitavo álbum, ‘folklore’, hoje à meia noite (pra nós aqui do Brasil, 1h da manhã do dia 24.07) — o que pelos padrões atípicos de 2020, parece mais uma semana. Ainda assim, uma notícia impressionante vindo de uma artista que, durante a primeira década de sua carreira, planejava cuidadosamente uma agenda de divulgações para a semana de lançamento de seus álbuns em que os fãs podiam marcar tudo na agenda.

O que faz sentido por várias razões. A primeira, é claro, é que nos dois álbuns anteriores de Swift, a divulgação inicial não era necessariamente um indicativo do trabalho que representavam. A era ‘reputation’ teve início em 2017 com o eletro-pop perverso de ‘Look What You Made Me Do’, que foi direto para o #1 da Billboard e desceu algumas posições pouco tempo depois, com algumas ressalvas de fãs e de críticos. Outras faixas grandiosas, com clipes deslumbrantes e performances premiadas vieram em seguida – tudo muito impressionante mas que não capturava a imaginação do público. Dois meses e meio depois, o álbum completo foi lançado — bem mais vulnerável e menos focado na temática da vingança.

O mesmo se aplica ao ‘Lover’, do ano passado, que foi anunciado pelo pop divertido de ‘ME!’ em abril. A música se tornou o primeiro lead single de Taylor em quatro álbuns a não alcançar o número #1, apesar de ter emplacado a segunda posição. (…) Quatro meses e alguns vídeos grandiosos com performances elaboradas separaram ‘ME!’ do lançamento de ‘Lover’, em agosto.

Nenhum desses singles indicava o álbum que viria. Apesar da recepção dos singles ter sido abaixo do esperado para os padrões sobrenaturais do sucesso de Swift, ‘reputation’ e ‘Lover’ conseguiram números gigantescos em suas respectivas primeiras semanas. Mas na era dos streamings, na qual os maiores artistas pops estavam agindo mais rápido do que nunca, as longas programações de lançamento começaram a parecer um pouco arcaicas. Além do mais, a escolha de singles pode confundir, já que — nesses casos — não se parecem com o álbum que anunciam. ‘Look What You Made Me Do’ do que o maduro, revelador e às vezes até sensual ‘reputation’ seria, enquanto ‘ME!’ era dramaticamente simples se comparada ao cintilante, alegre e às vezes comovente ‘Lover’.

Então Taylor deixar tudo isso para trás de um dia para o outro fez com que seu último projeto criasse um contraste bem marcante, mas bem vindo também. E apesar de nós não termos certeza de nada até que possamos ouvir hoje à noite, isso provavelmente faz sentido para esse álbum em particular também. Tudo que ela revelou até agora para nós de Folklore – desde o título até as fotos em preto e branco em bosques, lista de colaboradores (incluindo o herói do indie Bon Iver e Aaron Dessner, do The National), o fato dela ter gravado tudo em isolamento social — tudo indica que esse não será uma grande versão pop de Taylor Swift, que estamos acostumados a ver pela última década, mas algo mais íntimo com as raízes de compositora que ela apresenta.

Enquanto vários fãs antigos de Taylor provavelmente ficarão encantados com a “volta ao passado” dela e com talvez menos do pop tradicional, isso seria provavelmente algo meio arriscado se lançado como seus álbuns antigos. Como que o single de lançamento tocaria no Top 40 das rádios? Qual música faria mais sentido para apresentar no VMA? Como seriam os números da primeira semana? Lançando hoje à noite sem nenhuma mínima antecipação de que isso iria acontecer, ela livra o Folklore de todas essas perguntas e expectativas. Se os fãs amarem e consumirem como loucos, ótimo. Se soar como morno para as críticas e/ou comercialmente, então ela pode enquadrar como um lançamento de quarentena para um projeto pessoal, não com as mesmas expectativas de seus álbuns oficiais, mas como uma mixtape, basicamente.

É uma decisão inteligente, que coloca Swift como uma estrela veterana capaz de seguir tendências modernas, e uma estrela que, presumivelmente, está impaciente e repleta de pensamentos para serem compartilhados durante essa pandemia como o resto de nós. E, independentemente do que isso significa para sua carreira e seu lugar na indústria do pop, é uma ótima ação para se tomar: presentear seus fãs com um álbum inesperado- um álbum que não vai dar tempo nem dos fãs criarem expectativas suficientes que poderiam os levar à decepção. Para uma artista tão conhecida por seus tramas extremamente pensados e desenvolvidos por muito tempo, abraçar a espontaneidade pode ser uma de suas ações mais astutas até agora.

Matéria publicada pela Billboard e traduzida pela Equipe TSBR.





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