Ainda que Taylor tenha lançado três álbuns poderosos desde que foi para o pop, e tenha conquistado estádios com sua turnê de seu álbum de 2014 que levou vários Grammys, a cantora tem entrado em momentos mais tranquilos para balancear toda a grandiosidade. Pense no rock suave de Clean, ou a balada leve de “New Year’s Day” que fecha o Reputation. Em Lover, esse tipo de música foi ainda mais recorrente com The Archer, It’s Nice To Have a Friend e especialmente na música com confissões amorosas que intitula o álbum.

Com o anúncio surpresa de Folklore , um álbum completo que foi concebido relativamente em segredo (e grande parte Taylor fez sozinha, durante a pandemia). Pela primeira vez, Swift deixou de lado o tradicional processo de lançamento e apareceu com um novo projeto em menos de um ano. Além de seu colaborador recorrente Jack Antonoff, Aaron Dessner do The National está envolvido como co- produtor e co-compositor e Bon Iver participou de um feat.

As artes das capas são compostas por uma paleta acinzentada e imagens de Taylor na natureza. Será que esse projeto representa a volta para as raízes de Swift de compositora-ainda que sejam raízes olhadas por um prisma indie-rock em vez das origens do country- e uma chance que as partes mais singelas de  seus álbuns recentes se tornarem o centro da narrativa?

Sim e Não: Folklore é sim um desvio da trajetória do top 40 que a Taylor começou a investir seis anos atrás mas não tem nada de singelo. Swift apresenta o álbum como uma obra prima de composição, demonstrando a profundidade e extensão de sua capacidade artística enquanto ela reflete sobre a passagem do tempo, se agarra a memórias passageiras e se recusa a maquiar suas palavras ou enfeitar uma realidade que não é bonita, com frequência operando sobre arranjos orquestrais.

Em vez de simplesmente “simplificar” sua música, Swift construiu suas músicas de uma forma totalmente nova, diferente do que estávamos acostumados, usando um equilíbrio instrumental como base de impulso para combinar diferentes temas na sua contação de histórias. Não confunda Folklore como uma “continuação” de Lover ou uma coleção de descartes re-editados; Existem ideias ousadas e sublimes em todas as novas músicas e Swift estava pronta para levá-las para outro nível.

“Nossa maioridade veio e se foi”, Swift canta em “Peace”, uma frase que expõem um relacionamento mas também reflete como está perspectiva dela em seu primeiro lançamento desde que ela fez trinta anos. Amor simplista agora é visto como frase no passado- a nostalgia do começo ao fim em ‘Seven’ e ‘August’, duas prévias de tempos mais simples – com uma versão de afeição, mais madura e complexa dominando o presente.

“Exile”, o dueto com Bon Iver bolado por Justin Vernon, demonstra pontos de vista que não se alinham e a culpa pela separação não é acordada entre as partes. Em “This Is Me Trying” um órgão toca enquanto Swift tenta vencer uma indisposição. Os problemas são com frequência vivenciados, os relacionamentos são entrelaçados e Swift é mais sincera sobre a natureza humana do que jamais foi. Diversas músicas fazem referência a encontros românticos em estacionamentos, seu olhar iludido de “Love Story” já não mais presente.

A maioria dos artistas não tem a sagacidade de vender tal transição mas Swift tem compartilhado sua realidade por mais de uma década, então os momentos mais obscuros de Folklore nunca poderiam soar rasos. E quando a luz entra, a visão é linda : “Invisible String” é simplesmente uma das melhores canções que Swift já escreveu, uma história de amor sensacional centrada nos felizes acasos que poderiam te sufocar se você deixasse. 

Um projeto criado em isolamento, Folklore mostra Swift despejando toda sua psique, em meio a uma realidade imperfeita, em suas composições. Temos sorte dela ter compartilhado conosco. 

Matéria publicada pela Billboard e traduzida pela Equipe TSBR.





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