26 de julho de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
“Betty” é uma música de amor e um pedido de desculpas

“Betty” tem as marcas de hinos de uma antiga Taylor Swift: violão forte, harmônica, uma narração vívida, uma mudança dramática do condicional (se eu aparecesse na sua festa/ você me receberia?) para frases no presente do indicativo (eu apareci na sua festa/ me deixa entrar?) no clímax da música. Mas folklore, o álbum surpresa de Swift, não é como nada que Taylor já tenha feito. As histórias que ela já contou sobre como é o amor e amar parecem ter acabado. Emoções e memórias são fortes e obscuras agora, como se vistas de um globo de neve. A indignação penosa que estávamos acostumados da parte de Swift foi substituída por uma tristeza mais mundana e a compreensão de que a felicidade está inevitavelmente atada a melancolia, amor atado a perda.

“Betty”, uma história de amor adolescente agitada, mostra a maturidade e a nuance que Swift ganhou desde que ela mesma era adolescente. No passado, ela cantava sobre se arrepender de um término, ou injustamente exagerado na sua reação durante brigas. Mas “Betty” que é, de verdade, uma música que Swift mostra arrependimento. A música se passa no auge da ação, assim que o narrador- referenciado brevemente como James, mas especulado como mulher- traiu sua paixão de ensino médio. Essa é uma música sobre refletir a respeito do que foi feito, se perguntando se é tarde demais para corrigir o erro, e depois de forma torta, desengonçada e bagunçada, se responsabilizar pelas ações.

Da forma típica de Swift, as músicas e as narrativas em folklore se conectam. Referências a uma varanda e um cardigã no fim de “Betty” ecoam as imagens de “Cardigan”, que parece contar a mesma história mas do ponto de vista de Betty. Quem narra em “Betty” parece buscar por um tipo de absolvição em sua ingenuidade “só tenho 17/ não sei de nada”. Mas falando do mesmo acontecimento em “Cardigan”, Betty fala com propriedade e sabedoria, sugerindo que ser jovem não significa não saber de nada : “eu sabia de tudo quando era jovem/ sabia que ia te xingar por muito tempo”. Ao colocar as duas músicas juntas, Swift pede que seja questionada nossa lealdade para com um ou outro narrador. Ela é empática com a dificuldade de pedir desculpas enquanto ela critica aqueles que são ignorantes ao seu poder de machucar os outros. Swift costumava escrever com ela mesma sendo a personagem principal, uma protagonista em busca de um cavaleiro de armadura brilhante. Mas em folklore, nós vemos ela rejeitar heróis e contos de fadas- e, implicitamente, os ideais heteronormativos que eles criam- para abraçar a complicação que é o processo diário de aceitar suas imperfeições e tentar se recuperar.

Resenha publicada pela Pitchfork e traduzida pela Equipe TSBR.





Twitter do site

Facebook do site

Scroll Up