Demora cerca de trinta segundos de conversa com Taylor Swift para perceber que esta adolescente animada também é esclarecida e determinada com sua carreira. Aqui está uma dama que sabe exatamente o que quer e é como uma flecha certeira indo em direção ao seu alvo.

Swift, que completará 17 em 13 de dezembro deste ano ainda está em alta com o seu primeiro single, “Tim McGraw”. É facilmente a música mais cativante e tocante desde “Strawberry Wine” [canção de Deana Carter, 1995] e o vídeo que acompanha a canção mostra exatamente as emoções adolescentes começando a florescer.

“Eu escrevi [a canção] no meu primeiro ano do ensino médio,” Swift explica. “Eu tive a ideia no meio de uma aula de matemática. Eu estava sentada lá e então comecei a cantarolar a melodia. Eu meio que relacionei a esta situação que eu estava vivendo. Eu estava namorando um cara que estava prestes a ir para a faculdade. Eu sabia que estávamos prestes a terminar. Então eu comecei a pensar em todas as coisas que eu sabia que iriam lembrá-lo de mim. Surpreendentemente, a primeira coisa que me veio à mente foi o meu artista country favorito: Tim McGraw.”

Nativa de Wyomissing (Pensilvânia), perto de Reading, Swift é obcecada em se apresentar desde que tinha 10 anos.

“Cada fim de semana, eu ia para festivais e feiras e concursos de karaokê – qualquer lugar que eu pudesse subir no palco”, lembra ela. “A parte legal sobre isso é que meus pais nunca me forçaram a participar dessas coisas. Sempre foi o meu desejo e amor que me motivaram. Isso é o que torna tão doce. Se eu tivesse sido empurrada para fazer ou se eu não amasse isso, eu provavelmente não teria sido capaz de chegar até aqui.”

Um dos primeiros mentores de Swift foi o cantor country e dono do bar Pat Garrett, que lançou vários pequenos hits na década de 1980.

“Comecei cantando karaokê em seu barzinho quando eu tinha 10 anos”, diz ela. “Ele vai testemunhar que eu estava lá toda semana dizendo: ‘Eu só vou voltar se você não me deixar ganhar um.’ Eu era como uma espécie de mosca irritante em torno do lugar. Eu não deixava-o sozinho. Ele tinha esse concurso de karaokê que, se você ganhava, tinha que abrir para Charlie Daniels ou George Jones. Eu fui lá até ganhar.”

Swift fez sua primeira introdução à Nashville quando tinha 11 anos, mas não deu em nada. Dois anos mais tarde, no entanto, a família dela curvou-se para a sua ambição e se mudou para a cidade do country. Mesmo aos 13 anos, o seu talento era marcante. Ele ganhou a atenção de várias grandes gravadoras e, em última análise, um contrato de desenvolvimento com a RCA Records. Esse acordo, embora nunca rendeu-lhe um registro, lhe deu o bastante para garantir um contrato de edição com a gigante editora Sony/ATV Music quando ela tinha apenas 14 anos.

Embora Swift nega ter qualquer tipo de rancor com aqueles que a ignoraram ou negligenciaram, um lampejo de ressentimento ainda brilha.

“Eu posso entender”, diz ela. “Eles estavam com medo de lançar uma garota de 13. Eles estavam com medo de lançar uma garota de 14. Em seguida, eles estavam com medo de lançar uma garota de 15. Depois, eles estavam receosos com a possibilidade de colocarem no mercado uma garota de 16. E tenho certeza que se eu não tivesse assinado com Scott Borchetta [chefe da Big Machine Records], todo mundo teria medo de me lançar aos 17.”

Borchetta assinou com Swift em 2005 e gravou o seu álbum durante um período de apenas quatro meses antes do ano terminar. A Big Machine lançou “Tim McGraw” em junho e seu álbum homônimo no final de outubro. Swift escreveu três das canções do álbum 11 por conta própria e co-escreveu todo o resto.

Não surpreendentemente, as canções são sobre amor na adolescência e angústia.

“Você vai ouvir o meu álbum,” Swift diz “e vai parecer que eu tive 500 namorados. Mas isso não é realmente o caso. Eu acho que você não tem que namorar alguém para escrever uma canção sobre ele.”

Tomemos, por exemplo, “The Outside”, uma canção que ela escreveu quando tinha 12 anos.

“Eu estava passando por um momento muito difícil na escola e enfrentando uma série de rejeição entre meus colegas,” explica ela. “Eu sentia que estava sozinha uma grande parte do tempo, do lado de fora olhando para suas conversas e as coisas que eles estavam dizendo uns aos outros. Eles realmente não falavam comigo. No processo de vir a perceber isso, comecei a desenvolver neste sentido muita vontade de observação – de como observar as pessoas e ver o que elas faziam. A partir dessa perspectiva, eu fui capaz de escrever canções sobre relacionamentos quando eu tinha 13 anos, mas não necessariamente fazendo parte de relacionamentos. “

Depois, há “Should’ve Said No”, que ela escreveu apenas uma semana antes de sua sessão final de gravação. “Basicamente, é sobre um cara que me traiu e não deveria ter feito isto porque eu escrevo canções” ela diz. De fato, algumas de suas canções citam mesmo os nomes de seus namorados ou daqueles que podem ter sido seus namorados, enquanto outras formam códigos (por exemplo, o fato das letra maiúsculas formarem uma mensagem no encarte do disco).

“Nós mudamos os produtores um monte de vezes”, diz Swift. “Comecei com este produtor-teste que trabalhava em um pequeno galpão atrás da gravadora. Seu nome era Nathan Chapman. Eu sempre ia lá gravar com ele algumas músicas novas e na semana seguinte ele tornava essa faixa impressionante, em que ele colocava todos os instrumentos e soava como em um disco. Fizemos isso por um período de um ano a dois anos antes que eu tivesse o meu contrato de gravação.”

“Então, de repente, era, ‘OK, vamos tentar este produtor’ ou ‘Nós vamos usar esse outro produtor.’ Então eu comecei a gravar com um grupo de produtores realmente impressionantes de Nashville, mas ele não soavam da mesma maneira que Nathan. Ele nunca tinha feito um álbum antes. Ele tinha acabado de gravar demos. Mas a química estava certa. Finalmente, o presidente da minha gravadora disse, ‘OK, tente alguns com Nathan.’ No final, Chapman produziu todas as faixas.”

Swift passou a maior parte deste ano fazendo uma turnê no rádio para promover especialmente “Tim McGraw”, mas também o álbum em geral. “Tours de rádio para a maioria dos artistas duram seis semanas”, observa ela. “A minha durou seis meses, isso porque eu queria. Eu queria conhecer cada uma das pessoas que estava me ajudando.”

O turbilhão não prejudicou Swift academicamente. No ano passado, ela teve uma média perfeita. Agora uma júnior, ela está sendo educada em casa, embora admita que raramente está em casa. Ela espera acelerar seus estudos e se formar mais cedo.

Quando ela estava chegando ao fim de sua turnê de rádio, Swift recebeu um telefonema do Rascal Flatts, pedindo-lhe para abrir nove shows para eles. Com apenas um aviso prévio de dois dias, ela caiu na estrada com o trio, inicialmente com o apoio apenas de um guitarrista e um violinista. No próximo ano, ela será a abertura de George Strait.

“Eu ainda estou na fase de ficar incrédula,” Swift confessa. “Depois de todos esses shows que eu faço, as pessoas fazem fila e querem que eu assine coisas! Eu ainda não fui capaz de compreender o fato de que, se eu assinar um pedaço de papel, isso pode significar algo para alguém.”

Com uma coisa Swift não terá que se preocupar enquanto ela está na estrada: escrever canções para seu próximo álbum. “Eu tenho sido muito egoísta sobre minhas músicas,” diz ela. “Eu sonhei com tudo que está acontecendo por tantos anos que simplesmente me adiantei. Estou tão feliz que eu fiz, porque agora temos músicas o bastante para um segundo e terceiro álbum e eu não tenho que levantar um dedo sequer.”

Entrevista para Edward Morris (CMT News) publicada em 1º de dezembro de 2006.